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Uma pequena história de lambrequins...



Caderno G
Gazeta do Povo
Domingo, 28 de agosto de 2005

Simbólico e poético

VISUAIS-O lambrequim, ornamento tipicamente europeu, se tornou uma marca da arquitetura curitibana

Antonio Costa/Gazeta do Povo

As formas dos lambrequins eram inspiradas na natureza.

Os lambrequins são recortes de madeira e zinco decorados, encontrados principalmente nos beirais de construções antigas, no sul do Brasil. “Lamperkijim” é uma palavra francesa, de origem holandesa, mas, no Paraná, o ornamento é encontrado, principalmente, em casas de colonos poloneses e italianos.

Na época em que os imigrantes europeus se instalaram no estado, encontraram muita madeira disponível nas matas de araucárias, o que permitiu a realização de construções típicas. Os ornamentos, que lembram rendilhados, não eram apenas objetos de decoração, mas também tinham a função de pingadeira, para proteger as casas das chuvas.

O típico lambrequim do Sul tem aproximadamente 40 cm de comprimento e é feito de pinho ou imbuia. Vários elementos da natureza inspiram os desenhos. Gotas d’água, filetes de neve, cachos de uva, pétalas, tulipas, cedros e folhas de louro e carvalho são apenas alguns dos motivos usados pelos antigos colonos. Os desenhos também eram usados para enfeitar o interior de algumas casas e eram encontrados em objetos de uso domésticos, como toalhas de mesa, vasos e móveis.

O estilo do lambrequim é capaz de identificar a sua origem. Os desenhos em linhas mais simples e quadradas são tipicamente poloneses; os mais arredondados podem ser encontradas em casas germânicas; e os mais detalhados, em construções de origem italiana.

Em Curitiba, os lambrequins começaram a aparecer com mais intensidade no início do século 20, quando a madeira passou a ser mais acessível. O problema é que a prefeitura não via com bons olhos o uso desse material, como explica o historiador Marcelo Sutil. No Código de Posturas de 1919, foi determinado que o centro deveria ser ocupado apenas por construções de alvenaria e que todas as casas de madeira dos bairros mais afastados teriam de apresentar os ornamentos. “É por esse motivo que os lambrequins estão mais presentes em Curitiba do que em outras cidades de colonização européia”, explica.

O historiador afirma que a origem do lambrequim no Brasil não deve ser relacionada apenas à chegada dos poloneses ao país. “O surgimento dele é muito anterior. É possível encontrá-los até mesmo em algumas construções mineiras do século 18”, conta.

Fãs

O arquiteto Key Imaguire Jr., especialista em História da Arquitetura Brasileira, começou a se interessar pelo ornamento ainda na década de 70, quando houve um resgate do lambrequim em algumas construções. A sua curiosidade foi despertada pelo grande número de casas que apresentavam essa característica. “O lambrequim é de origem popular, espontânea e existe em todos os lugares do mundo. É um elemento que torna as construções muito mais charmosas e interessantes”, diz o professor, dono de uma coleção com mais de 25 peças, encontradas em demolições.

A arte-educadora Maria Sidonea Santos se apaixonou pelos lambrequins quando começou a ensinar a história dos imigrantes para crianças de 1.ª a 4.ª série. A educadora percebeu que os objetos poderiam servir, também, para o ensino da Matemática, por causa da simetria dos desenhos. A partir daí, a professora não parou mais de pesquisar e chegou a criar um site sobre as peças (www.lambrequins.net), onde é possível encontrar vários textos, fotos, e links acerca do assunto. “Foi uma questão de curiosidade. Sempre admirei o aspecto visual das casas antigas e adoro antigüidades. Hoje em dia, é uma importante ferramenta para o meu trabalho”, conta.

O artista plástico Valdir Francisco também é fã da arquitetura paranaense e recentemente abriu uma exposição em homenagem ao ornamento. “Os lambrequins fazem parte da memória cultural da cidade e, por isso, é importante que sejam preservados. A minha relação com as peças é de preocupação e encantamento. Elas possuem ritmo, suavidade e delicadeza, como se fosse uma música”, acredita.

Jennifer Koppe

Caderno G
Gazeta do Povo
Domingo, 28 de agosto de 2005