Grande Enciclopédia Larousse Cultural

Poesia de Radamés Manosso

O Lambrequim (Diário da Tarde)

O Lambrequim (Fundação Cultural de Curitiba)

Lambrequim : Beirais Rendados em Curitiba

Arquitetura em Madeira : uma Tradição Paranaense

Curitiba Capital Ecológica

Lambrequim: Ornamentos em Casas de Madeira

Espirais de Madeira: uma História da Arquitetura de Curitiba

Os Lambroquins Da Ilha Reunião: Geometria Diária, Geometria do Infinito

Os Lambrequins de Reunião

O Lambrequim e sua Mensagem Poética

Simbólico e Poético

Lenda dos Lambrequins

Poesia de Luciana R. Mallon

Lambrequins em Ponta Grossa

Folder da Exposição:
"A Poética dos Lambrequins" - Valdir Francisco

Lambrequins e Rendilhados:
memória de ornamentos em madeira

Uma pequena história de lambrequins...



Curitiba Capital Ecológica

Autor:Carlos Ravazzani; Hilário Wiederkehr Filho e José Paulo Fagnani
Título:Curitiba Capital Ecológica
Publicado: Natugraf Editora Ltda, 1996.

Arquitetura de Curitiba

Abrão Assad

Nossas cidades são eternos canteiros de obras: construímos e destruímos com igual intensidade, por isso, vivenciar a história através da arquitetura é tarefa difícil.

Na época colonial, nossa arquitetura pouco se diferenciava das outras cidades brasileiras: telhas goivas, beirais beira-seveira, portas e janelas com umbrais de pedra, paredes espessas e caiadas, tudo de acordo com os preceitos construtivos portugueses. Desta arquitetura só restou um exemplar: a Casa Romário Martins no Largo da Ordem. (Da Igreja da Ordem, só a nave se mantém original).

Em meados do século XIX, um fato passa a diferenciar nossa arquitetura: a vinda dos imigrantes europeus; poloneses, ucranianos, italianos, franceses e holandeses, todos colonos, ávidos por trabalho. Ávidos também chegaram, no início do século XX, os japoneses, sírios, libaneses e judeus. Todos passaram a exercer influências que se revelam até hoje na arquitetura: a típica arquitetura curitibana, a cara da nossa cidade.

Essa força de trabalho, apesar de predominantemente rural, aglutinou uma série de artífices que se sucederam em gerações: alemães e austríacos, mestres no entalhe em madeira, italianos exímios na arte da cantaria e poloneses e ucranianos, excelentes carpinteiros etc.

Estas aptidões exóticas, com suas características se consorciaram e construíram nossos habitáculos, dando à nossa arquitetura uma fisionomia peculiar. Um bom exemplo é o antigo Paço Municipal que depois foi sede do Museu Paranaense.

Desta comunhão, fruto de casamento de poloneses e italianos, varandas italianas com telhados franceses, lambrequins com enxaiméis e telhas goivas, convivendo e somando-se ao estilo da época (o neo-clássico), resultou a identidade da nossa arquitetura.

Aliás, sobre o lambrequim cabe ressaltar que nada é tão curitibano! Há várias teorias sobre a sua origem. Algumas, cientificamente embasadas, invocam a " persistência de forma", outras alegam a compulsão de adornar, de cunho popular. Eu, particularmente prefiro a interpretação poética que justifica o lambrequim como um gesto nostálgico de reviver em nossos beirais a cristalização dos pingos de chuva de rigorosos invernos europeus.

Com o ciclo do café e a industrialização, Curitiba novamente se modificou. Sofreu influência de movimentos culturais externos.

Apesar de termos, precocemente, em 1920, um exemplo de arquitetura futurista (casa do arquiteto Frederico Kirchgasner na Rua Jaime Reis), só nos anos 50 é que surgiram as primeiras obras modernistas: os prédios do Centro Cívico, o teatro Guairá e a Reitoria são alguns exemplos, frutos do plano urbanístico de Agache.

Assim, Curitiba foi se modernizando, transformando-se e tornando-se cada vez menos parecida com Curitiba.

Enfim, não vemos mais tantos gerânios nas janelas.

Lambrequim é o nome do rendilhado de madeira recortada, usado na decoraçãop das extremidades dos beirais, das antigas casas de madeira de imigrantes italianos e poloneses.
São inúmeras e criativas as formas dos lambrequins.

    

    

    

    

"O lambrequim é um gesto nostálgico de reviver em nossos beirais a cristalização dos pingos de chuva de rigirosos invernos europeus."
(Abrão Assad)

Autor:Carlos Ravazzani; Hilário Wiederkehr Filho e José Paulo Fagnani
Título:Curitiba Capital Ecológica
Publicado: Natugraf Editora Ltda, 1996.