Grande Enciclopédia Larousse Cultural

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O Lambrequim (Diário da Tarde)

O Lambrequim (Fundação Cultural de Curitiba)

Lambrequim : Beirais Rendados em Curitiba

Arquitetura em Madeira : uma Tradição Paranaense

Curitiba Capital Ecológica

Lambrequim: Ornamentos em Casas de Madeira

Espirais de Madeira: uma História da Arquitetura de Curitiba

Os Lambroquins Da Ilha Reunião: Geometria Diária, Geometria do Infinito

Os Lambrequins de Reunião

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Simbólico e Poético

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Poesia de Luciana R. Mallon

Lambrequins em Ponta Grossa

Folder da Exposição:
"A Poética dos Lambrequins" - Valdir Francisco

Lambrequins e Rendilhados:
memória de ornamentos em madeira

Uma pequena história de lambrequins...



O LAMBREQUIM

Autor: Imaguire Jr., Key
Título:O Lambrequim
Periódico: Boletim Informativo Nº 17
Publicado: Fundação Cultural de Curitiba, março 1976, Ano 3.

Há muita unidade na implantação da casa urbana brasileira do período colonial: alinham-se todas pela fachada, limitando, numa parede contínua, o espaço e o percurso da via pública. Lateralmente, por díspares que sejam as alturas, ombreiam-se umas às outras, nos limites dos terrenos. Nos fundos é que há espaço descoberto, livre, usado para plantar ou criar. Cobrem-se essas casas todas com telhados de duas águas, prolongadas por beirais além dos limites da área construída, para atirar as águas pluviais um pouco além das frágeis taipas. Beirais esses sustentados por cimalhas ou beira-seveira, herança lusitanas.

Até o findar do século XIX, não há sensível alteração dos padrões construtivos. Mas, nessa época, muita coisa se altera no País: ao criar-se a República, já se havia extinguido a escravidão e chegam os imigrantes da Europa já entrada na Revolução Industrial, com uma série de recursos aplicáveis à arquitetura.

Assim, também os padrões estéticos se debatem no bastardismo eclético; urbanisticamente implantam-se redes de água e esgotos, e os novos princípios higiênicos revelam que o ar puro dentro de casa não é nocivo à saúde, antes muito pelo contrário.

Para lograr maior aeração, as novas casas de descolam, para as brechas entre elas abrem-se janelas e por aí se faz a entrada da residência, freqüentemente abrigada por uma varanda. Afastando-se, em seguida, a construção do alinhamento da rua, cria-se diante dela um jardim, e a casa está solta de seu entorno, implantada no centro do terreno.

A fórmula assume então as características do chalé europeu, as técnicas e as plásticas.
Nas antigas edificações, posturas municipais obrigam à antipática substituição dos beirais fronteiros por platibandas, para que a água não seja atirada sobre os passantes.

E é nas novas casas, cobertas com telhas chatas (alemãs) ou de Marselha, que vamos encontrar o lambrequim. Originário da Europa como tantos outros elementos, terá tido primitivamente a função de pingadeira, fazendo correr, com alguma ordem, os filetes de água para o solo, protegendo os madeiramentos da cobertura.

Encontramo-lo em Curitiba a partir do início do século, concentrado nas regiões de maior afluência de colonos europeus.

Independente das formas que tenham tido no Velho Mundo, seguem aqui uma linha de evolução bastante clara: desde o simples corte em ângulo reto voltado para o solo, passando por inúmeras formas, saídas umas das outras até chegar a compor longos rendados, em que se perde parcialmente a função original.

Essas peças de madeira, medindo ao redor de quarenta centímetros de comprimento, dificilmente são iguais. Dentro dos modelos mais freqüentes, de elaboração média, a variação de seus elementos básicos - orifícios, extremidades, curvas - quase nunca coincidem. Encontram-se até dois modelos diferentes numa mesma casa; o que ocorre com freqüência quando o modelo usado lateralmente - quando o beiral é paralelo ao solo - é alterado para a fachada principal, em que os beirais formam ângulos acentuados com o chão. Os arremates nos ângulos, umas poucas vezes, levam à criação de peças diferentes.

Mesmo não mais fabricados e continuamente destruídos - para o que contribui sua própria fragilidade - , seus remanescentes enriquecem ainda a arquitetura de madeira (raramente a de alvenaria) de várias casas da região de Curitiba.

Autor: Imaguire Jr., Key
Título:O Lambrequim
Periódico: Boletim Informativo Nº 17
Publicado: Fundação Cultural de Curitiba, março 1976, Ano 3.