Grande Enciclopédia Larousse Cultural

Poesia de Radamés Manosso

O Lambrequim (Diário da Tarde)

O Lambrequim (Fundação Cultural de Curitiba)

Lambrequim : Beirais Rendados em Curitiba

Arquitetura em Madeira : uma Tradição Paranaense

Curitiba Capital Ecológica

Lambrequim: Ornamentos em Casas de Madeira

Espirais de Madeira: uma História da Arquitetura de Curitiba

Os Lambroquins Da Ilha Reunião: Geometria Diária, Geometria do Infinito

Os Lambrequins de Reunião

O Lambrequim e sua Mensagem Poética

Simbólico e Poético

Lenda dos Lambrequins

Poesia de Luciana R. Mallon

Lambrequins em Ponta Grossa

Folder da Exposição:
"A Poética dos Lambrequins" - Valdir Francisco

Lambrequins e Rendilhados:
memória de ornamentos em madeira

Uma pequena história de lambrequins...



Diário da Tarde

Título: O LAMBREQUIM
Periódico: Diário da Tarde, 22 março 1976

O Paraná não conta com uma arquitetura marcante ao contrário do Nordeste ou Minas Gerais onde estão o que há de mais significativo em termos de prédios históricos em todo o país. Esta colocação é feita por Key Imaguire, um dos dois únicos arquitetos a dedicar-se ao assunto em Curitiba e que durante a festiva polêmica que envolveu a catedral curtiu, às margens de todo o falatório, uma terceira posição em relação ao assunto.
Sem super valorizar os velhos prédios de Curitiba, Key justifica a pouca importância de nossa arquitetura histórica com o fato de nosso estado apresentar um desenvolvimento econômico recente, e também a evidencia de que nossa arquitetura colonial praticamente deixou de existir, limitando-se em Curitiba, à construção que abriga hoje a Casa Romário Martins e a Igreja da Ordem, esta última tão alterada no decorrer dos anos que dificilmente chegaria de novo a sua forma original.

Pouco representativa
Funcionário do Patrimônio Histórico Nacional, Key participou de uma série de levantamentos não só do Paraná como também em Santa Catarina e hoje fala de cátedra, que pouca coisa nos dois Estados apresenta valor real em termos de arquitetura passada. Suas viagens se estenderam pelas regiões de colonização mais antiga, concentrando-se no Paraná nas cidades de Paranaguá, Curitiba, Lapa, os três pólos mais importantes, alem de pólos secundários como Morretes e Antonina, e em Santa Catarina, especialmente as fortificações. "A ilha de Florianópolis era um ponto mais estratégico do que a baia de Paranaguá e as fortificações feitas lá pelos portugueses chegavam, algumas vezes a se caracterizar como obras monumentais".
Se o aspecto das fortificações é o predominante na arquitetura de Santa Catarina, no Paraná Key destaca apenas três construções efetivamente importantes, em termos de arquitetura colonial.
Trata-se da Igreja de São Francisco em Paranaguá, Igreja de São Benedito, na mesma cidade, e a Capela do Tamanduá, localizada nas proximidades de Campo Largo. A Igreja de São Francisco, embora não seja o prédio mais antigo é o de melhor arquitetura: "tem muita cantaria, apresenta-se em boas proporções e pode-se dizer que é a igreja construída com mais capricho em território paranaense". Já o mérito da Igreja de São Benedito, reside no fato de ter pertencido a uma Irmandade bastante pobre: "por não dispor de recursos, não sofreu reformas, e praticamente todos os seus elementos são originais, sendo o prédio colonial melhor conservado na atualidade". E à Capela do Tamanduá, cabe o mérito de ser representativa de um ciclo importante do Estado: "Sua técnica de construção é extremamente primitiva, mas tem a vantagem de estar ainda hoje, inserida em sua paisagem natural inicial: o caminho dos tropeiros. Permanece o caminho dos burros e a vegetação, fato que não ocorre nas demais construções situadas em áreas urbanas, que mesmo conservadas, recebem novas construções à sua volta, e perdem sua paisagem natural inicial".

Aspectos regionais
Professor contratado pela Universidade Federal do Paraná para a Cadeira de Arquitetura do Brasil, Key vem reunindo seus trabalhos como aluno (formou-se em 1973) seus levantamentos como funcionário do Patrimônio Histórico Nacional e sua experiência de professor em um trabalho iniciado há dois anos e que levará mais dois para ser concluído, sob o título de "Introdução a Arquitetura do Paraná". Para este trabalho está canalizada dezena de viagens, alguns milhares de fotografias, centenas de desenhos e consultas em documentos históricos, com o objetivo primordial de mostrar globalmente a arquitetura antiga do Estado: "Pouca coisa tem sido escrita sobre a Arquitetura do Brasil, e além disto, alguns trabalhos tem sido bastante superficiais e até mesmo irresponsáveis. Em termos regionais, há um mínimo de gente trabalhando no assunto, e a arquitetura do Estado como conjunto ainda não chegou a ser abordada".
A maior dificuldade encontrada na realização desta pesquisa diz respeito à inexistência de documentação. "Ninguém tem os projetos originais das antigas edificações, e acredito mesmo que na maioria dos casos, os projetos nem tenham existido, e que estas construções mais antigas tenham sido erguidos do jeito que dava. Por isto, não pretendo me deter muito no sentido de acionar as fontes primeiras. Estou me ligando mais no fato sociológico: na arquitetura como um fato sociológico".
A idéia inicial do trabalho surgiu da necessidade vislumbrada por Key de reunir o material arquivado na Universidade em um trabalho impresso que estivesse ao alcance de todos os interessados. "Realizamos muitos levantamentos no sentido de preservar documentos referentes a construções antigas que não merecem o destaque de serem propriamente mantidas pelo simples fato de apresentarem alguns aspectos interessantes de características regionais. Assim, mesmo que um prédio de algum valor seja demolido, fica sua documentação para estudos. Esses levantamentos são realizados dentro do sistema de trabalho do Patrimônio Histórico Nacional que determina a obrigatoriedade de documentação, antes, durante (ou sob vários aspectos) e depois da realização de obras em qualquer edificação antiga.

Contribuição do Imigrante
Do realizar uma pesquisa sobre um assunto que tenho de mistificar, Key não mostrará as fotos arquitetônicos marcantes em termos nacionais, mas sim aspectos de valor regional presentes em nossa arquitetura essencialmente como contribuição dos imigrantes que participaram da colonização. "O que temos de mais significativo mesmo, diz respeito a influência dos imigrantes", que se concretiza em aspectos bastante interessantes". Um destes aspectos, segundo o arquiteto, é o que diz respeito a arquitetura da madeira, "que me parece não mereceu ainda um estudo, apesar de ser uma característica regional. É principalmente interessante, se levar em conta que outras regiões do país também dotadas de madeira, esta arquitetura não é tão característica como no Paraná. Além destes inúmeros aspectos se enfileiram: a ornamentação das fachadas, com fases repletas de colunas, a fase das janelas em arcos, e outras influências que o Estado recebia da Europa através do Rio de Janeiro, capital do país na época, E os lambrequins característica bastante regional que não se configura por exemplo, em Minas Gerais e restringindo-se as regiões de maior concentração de imigração.

A Tulipa
Foi no princípio da República que as posturas municipais passaram a obrigar as antigas edificações à antipática substituição dos beirais fronteiriços por platibandas, com finalidades inclusive "de segurança", para que a água da chuva que descia pelos telhados não fosse atirada sobre os passantes. E foi nas novas casas, cobertas com telhas chatas -alemãs ou de Marselha que apareceram os lambrequins. Originário da Europa como tantos outros elementos incorporados à nossa paisagem, o lambrequim teve, primitivamente a função de "pingadeira", fazendo correr, com alguma ordem, os filetes de água da chuva dos telhados das casas para o solo protegendo os madeirames da cobertura. Em Curitiba, ele surgi à partir do início do século concentrou-se especialmente nas regiões de maior afluência de colonos europeus.
Abolida sua finalidade prática com o advento das (---) lambrequim continuou ao seu lado em uma coexistência (---) assumindo daí para frente um caráter puramente decorativo. Independente das formas que tivessem no Velho Mundo (---) seguiram aqui uma linha de evolução bastante clara (---) Key:"desde o simples corte em ângulo reto voltado (---) passando por inúmeras formas, saídas umas das outras (---) chegar a compor longos rendados, em que se perde parcialmente a função de originalidade. "Partindo de um motivo básico essencialmente europeu -tulipa de cabeça para baixo - os lambrequins apresentam-se em Curitiba de formas bastante variadas bastando dizer que dificilmente são encontrados dois iguais. O lambrequim mais elaborado faz parte da fachada de uma velha residência localizada defronte ao Centro de Criatividade na rua Mateus Leme.

Documentação
Os lambrequins, impregnados de carga (---) proprietário das antigas casas e mesmo dos "valores" (---) marceneiros da época fazem parte exclusiva da (---) Sul do país. "Mesmo em Minas Gerais, onde a arquitetura (---) rica eles não estão presentes. "Como são feitos (---) ação sujeitos ao tempo e como tal tendem a desaparecer, especialmente numa época em que a madeira escasseia e encarece. Key tratou de documentá-los em suas mais variadas formas pelo Paraná e por Santa Catarina, e especialmente em Curitiba onde se encontram pelas imediações do Relógio das Flores e pelos bairros.
Constituindo apenas um dos aspectos que serão abordados em seu trabalho, "Introdução a Arquitetura do Paraná" os lambrequins, por dizerem respeito a Curitiba, serão mostrados ao público em três formas, pela Fundação Cultural de Curitiba. Através de Boletim com textos e fotografias de Key, com lançamento previsto para o dia 2 de abril, em exposição na Casa Romário Martins onde estarão reunidas cinqüenta fotografias ampliadas em 24x30 cm e em filme de 10 minutos com direção de Mauro Alice da Guaíra, fotografias de Key, sobre a coordenação da Cinemateca do Museu Guido Viaro.

(---): no xerox utilizado para a pesquisa, estas partes estão incompreensíveis.

Título: O LAMBREQUIM
Periódico: Diário da Tarde, 22 março 1976