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O Lambrequim (Diário da Tarde)

O Lambrequim (Fundação Cultural de Curitiba)

Lambrequim : Beirais Rendados em Curitiba

Arquitetura em Madeira : uma Tradição Paranaense

Curitiba Capital Ecológica

Lambrequim: Ornamentos em Casas de Madeira

Espirais de Madeira: uma História da Arquitetura de Curitiba

Os Lambroquins Da Ilha Reunião: Geometria Diária, Geometria do Infinito

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Poesia de Luciana R. Mallon

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"A Poética dos Lambrequins" - Valdir Francisco

Lambrequins e Rendilhados:
memória de ornamentos em madeira

Uma pequena história de lambrequins...



Beirais rendados
Casas populares diferentes.

Título: LAMBREQUIM : beirais rendados em Curitiba
Periódico: Visão, 30 maio1983, n. 22 p. 85

São poucos os dicionários que registram a palavra lambrequim, aquele rendilhado de madeira usado para decorar os beiras das casas, principalmente de imigrantes alemães e poloneses. Embora não se possa dizer que o lambrequim seja uma característica específica do Paraná, foi sem dúvida na Curitiba do final do século passado que esse detalhe arquitetônico obteve maior destaque. Nos últimos trinta anos, porém, com a paulatina substituição das casas de madeira por edificações de alvenaria, o lambrequim foi desaparecendo da paisagem urbana.

Agora, o lambrequim está de volta. Não só por uma questão de memória: caso, por exemplo, de uma habitação restaurada pela empresa de poupança Apepar, em Curitiba. O que está acontecendo em Curitiba é a utilização do lambrequim em larga escala, nas casas populares de núcleos da Cohab: a iniciativa é do ex-presidente daquela empresa. arquiteto Rafael Dely, um dos defensores desse ornamento simples e típico do Sul do país.

A marca do imigrante
- Talvez ninguém seja mais fã do lambrequim do que o ex-prefeito de Curitiba, Jayme Lerner. Descendente de judeus poloneses, o arquiteto Lerner sempre viu nessa decoração uma espécie de poesia em madeira. E, para saudá-la, está escrevendo um livro. Ele quer reviver a poesia de um modo de morar: o dos "paranaenses de todas as partes" que, com a política migratória iniciada há mais de um século, impuseram seu estilo e sua filosofia à feição urbana da capital e das aglomerações do Sul.
Alemães, poloneses, italianos e - mais tarde - ucranianos, procuraram valorizar o novo espaço em que viviam, plantando suas casas de madeira no centro de grandes terrenos, cultivando jardins na frente e quintais nos fundos. Nos telhados, de duas águas, inseriram os lambrequins - guardas de pinho ou de imbuia, com cerca de 40 cm de largura, Há classificações, segundo os antigos artesãos: os lambrequins simples, encontrados nas casas polonesas, são compostos por linhas quebradas; o lambrequim trabalhado, formado por linhas sinuosas que chegam às vezes a constituir longos rendados, é típico das casas alemãs e italianas. Quantos às cores, podem ser verdes, marrons, brancos.
Na verdade, os moradores tinham em mente não a pura escolha de cor, mas um elemento da natureza para definir o lambrequim: cor de uva, branco para lembrar a neve de sua terra natal, etc. Segundo o arquiteto Key Imaguire Jr., estudioso da evolução da arquitetura paranaense que produziu um dos raros estudos existentes sobre o lambrequim, raramente aparecem duas peças iguais: trabalho artesanal, mesmo entre os modelos mais freqüentes existem variações nos elementos básicos - orifícios, extremidades, curvas.

Embelezando a vida - Para que serve o lambrequim? Essa é uma velha discussão acadêmica entre os arquitetos. Para alguns, é meramente uma peça decorativa. Segundo o testemunho de velhos imigrantes, é funcional: facilita o escoamento da água da chuva, de modo a proteger o madeiramento do telhado. Para o pessoal da Cohab, o lambrequim passa a ser funcional porque é decorativo. Diz Dely: "Nosso objetivo era obter um efeito não padronizado num conjunto habitacional, romper aquele aspecto terrível de que as casas populares tinham de parecer caixotes de morar".
Loris Carlos Guesse, arquiteto da Cohab, diz que o lambrequim, personaliza a casa popular, sem encarecê-la; constitui um arremate perfeito. De fato, há um novo caráter nos bairros populares curitibanos: casas com alpendres, telhas de barro, diferentes tipos de lambrequins enfeitando tudo.

Título: LAMBREQUIM : beirais rendados em Curitiba
Periódico: Visão, 30 maio1983, n. 22 p. 85