Grande Enciclopédia Larousse Cultural

Poesia de Radamés Manosso

O Lambrequim (Diário da Tarde)

O Lambrequim (Fundação Cultural de Curitiba)

Lambrequim : Beirais Rendados em Curitiba

Arquitetura em Madeira : uma Tradição Paranaense

Curitiba Capital Ecológica

Lambrequim: Ornamentos em Casas de Madeira

Espirais de Madeira: uma História da Arquitetura de Curitiba

Os Lambroquins Da Ilha Reunião: Geometria Diária, Geometria do Infinito

Os Lambrequins de Reunião

O Lambrequim e sua Mensagem Poética

Simbólico e Poético

Lenda dos Lambrequins

Poesia de Luciana R. Mallon

Lambrequins em Ponta Grossa

Folder da Exposição:
"A Poética dos Lambrequins" - Valdir Francisco

Lambrequins e Rendilhados:
memória de ornamentos em madeira

Uma pequena história de lambrequins...



Uma pequena história de lambrequins...
Emmanuel Lemagnen

Fonte:www.temoignages.re
Tradução:Babel-fish.

Descubro na imprensa a obra do nosso colega Leveneur que trata de uma "pequena história da arquitectura" onde o lambrequim ocupa um justo lugar.

Diferentes versões já têm sido elaboradas sobre a proveniência e a evolução estes ribambelles à clara via, alguns queriam absolutamente encontrar-lhes uma utilidade, outros tentavam laboriosamente que procurassem-lhes inspirações animalistas ou simbólicas. Todas as propostas são batidas em brecha pela demonstração do contrário.
Se os lambrequins servissem para distribuir o escoamento pluvial dos tetos de zinco em finas gotas equitativamente repartidas, porque assim frequentemente foram postos abaixo do desgosto? Porque às vezes são fixados mesmo ao contrário sobre faîtage das coberturas? Se os lambrequins são extrapolações estilizadas da fauna e a flora, de onde eram os desenhistas da época? E por conseguinte, por que teriam ousado cercar o seu compartimento de centena de cabeças de cabras em chapa ou folhas de sonho de madeiras?

Em 1984, Tony Manglou, então Comissário do artesanato, confiava-me a tarefa de finalizar um "livro de atelier" sobre os lambrequins. Após ter percorrido cada bairro de cada comuna e ter fotografado e ter aumentado qualquer o que pôde fazer-se como diferentes lambrequins, selecionamos uma centena que vai da forma geométrica mais simples até composição florais à mais escavada.
Conscientes da dificuldade que há a encontrar uma verdade histórica e do perigo que haveria a inventar uma, escolhemos que apresentasse algumas fotografias de aposta em situação, das tábuas à escala um, mas nenhum texto.
Antes da publicação desta primeira edição de referência, tive o privilégio de encontrar o último lambroquinier da época, à WS André. Este velho Sr. de bonitas mãos amarrotadas contou-me a sua história, das suas chapas e do seu ofício, antes da guerra até à Ensinou-me duas coisas:
A primeira, é que os lambrequins eram fabricados geralmente em tempos de chuva. Não podendo trabalhar sobre as inclinações dos telhados, permaneciam ao abrigo e recortavam estas grinaldas de madeiras ou folha de flandres que iam terminar a obra. Não havia por conseguinte artesãos especializados, mas sim bons trabalhadores polivalentes que punham o seu talento à prova durante as intempéries.
O segundo, é que cada compartimento tinha o seu exemplar e que os fabricantes tinham um código déontologique. O lambrequim era a assinatura única (e reconhecível?) do seu trabalho. O velho artesão explicava-me mesmo que quando um comanditário conduzia um modelo a reproduzir, alterava-o ligeiramente, transformando por aqui uma ponta arredondada, cortando lá por um losango antes que um quadrado, para refazer nunca a mesma coisa mas sobretudo para usurpar o trabalho de ninguém. É por isso que contamos na mesma aldeia mais de uma dezena de declinações de um desenho básico. É por isso que também, em certos locais como Avirons, WS André, Cilaos ou ao Rio WS Louis, encontram uma tipologia bem específica de lambrequins que tenderiam a demonstrar o mesmo "golpe de pata" de um mesmo fabricante.

Por ocasião da saída do nosso livro em 1985, organizamos uma primeira exposição sobre o tema do lambrequim. Sabendo que não se encontrava mais artesãos para fazer, decidimos relançar a fileira transformando o lambrequim em Totem, como a ele têm-se tornado hoje a flor de hibiscus, a palha em rabo ou os savate dois dedos. Fizemos-o descer do teto e retornar para o interior da casa. Ficou abat-jour, plinthe carrelage, friso pintado sobre uma cerâmica, molde de bolo, novo ponto de bordado, logotipo sobre uma camisa...
Seguidamente detectamos as etapas do renascimento, sabendo que passa-se sempre da arte ao artesanato, o artesanato à indústria que gera, a própria, o desejo de reencontrar uma produção artesanal diferenciada.
Foi o que se passou.
Três modelos de fábrica foram lançados ao quilómetro, vendidos por toda a parte e postos de qualquer modo, em parte superior de um edifício como mièvre álibi ou na parte inferior de uma tribuna como reivindicação exótica. E é a lassitude gerada pela uniformidade do lambrequim industrial que suscita hoje a necessidade de ter a sua limpa exemplar único. Assim o círculo é terminado, o lambrequim retoma o seu lugar nas bordas dos telhados, como uma assinatura de arquiteto.

Então porque procurar uma utilidade ao que é bonito, como se a beleza não fosse uma utilidade suficiente? Os que cortavam balaústres, recortavam travessões e gravavam lambrequins eram trabalhadores às mãos poète, humilde que sem o saber faziam pequenos compartimentos às proporções tão ternas e que, com a perseverança e a inocência do tempo, inscreviam os seus vestígios na nossa história da arte.
Esta explicação é-me suficiente, porque satisfaz o meu olhar e fala à minha alma. Restaurando o meu velho compartimento que tem mais de um século, fiz e coloquei vários metros de lambrequins. Não têm utilidade que de aligeirar alguns volumes e desenhar, à hora em que levanto-me, sombras sobre a chapa ondulée. Quanto à "pilha de chumbo" que servia de "cunha mártir" e ao malho de madeiras de takamaka que tivesse-me oferecido este velho artesão tão tranqüilo, tornei-o à sua família.

Texto original em francês.